Ciúme

Oi pessoal essa é a segunda historia que eu escrevo.
Obrigada, Espero que Gostem da historia.

Kika Lima


Carla, sócia de um escritório de advocacia, bem de vida e bem casada com Julia, sua melhor amiga na adolescência e depois de muito tempo sua mulher.

Julia, gerente de um supermercado muito conhecido na cidade, bem de vida e apaixonada pela mulher Carla.

Carla estava no escritório, era sábado, o dia tinha sido bem cansativo, ela só queria ir pra casa ver sua esposa, ela sabia que Julia estava chateada por ela estar trabalhando dia de sábado, mas, fazer o quê, ou ela ia trabalhar ou perderia um grande caso.
           
Julia estava em casa, entendia que Carla às vezes tinha que trabalhar dia de sábado, mas, poxa, o final de semana era o dia delas onde nada importava só elas, ela tinha o direito de ficar chateada né?

O telefone toca, Julia atende depressa pensando que é a Carla pra avisar que já vai chegar.
- Alô
- Alô, a Julia se encontra? – Uma voz grossa pergunta.
- Sim é ela, pois não.
- E a Carla se encontra?
- Não, quem está falando?
- Ah... Então a Carla não se encontra! Você por acaso saberia onde ela está?
- Olha, quem ta falando hein? – Julia estava achando estranha aquela ligação.
- Quem ta falando é um amigo, aposto que você acha que a Carla ta trabalhando e se eu disser pra você que eu vi ela agora a pouco com uma loiraça de parar o transito?
- Olha eu não sei quem é você e não acredito no que você ta falando, vou desligar...
- Não, espera aí, tem certeza que não quer ouvir mais? Ela não costumava trabalhar no sábado né, ah... mas ela tem feito muito isso ultimamente não é verdade? Pense bem, as coisas estão como antes?
- Não sei porque ainda não desliguei esse telefone.
- Porque querendo ou não você acredita em mim e quer saber mais, você ta sendo enganada ta sentido a sua cabeça pesada ultimamente é um par de chifres que ela tem te colocado toda semana, sou seu amigo quero lhe ajudar a não ser mais enganada, sabe aquela morena com quem ela estava falando na quarta-feira era uma das amantes dela e ela ainda apresentou pra você olha que legal.

Chorando e nervosa Julia falou:
-Não acredito em você nunca mais ligue pra mim. 

Julia desligou o telefone, estava tremendo, realmente não acreditava no que o cara do telefone falou mas a duvida estava plantada. Ela era ciumenta por natureza, então, começou a lembrar que realmente no ultimo mês a Carla tinha ido trabalhar quase todos os sábados. Estava meio irritada mas, de vez em quando trazia presente pra ela pra compensar a ausência ou seria a traição?

Quanto mais Julia pensava mais ela via razão no que o cara tinha lhe dito e mais ela perdia a própria razão.

Carla estava chegando em casa se preparando pro sermão da Julia sobre ela ir trabalhar no sábado. Não ficava chateada porque sabia que ela estava certa e o sermão que ela dava era só para ela saber como o sábado era importante pra elas, mas, que ela entendia o porque de Carla não estar lá.

Carla chegou em casa estacionou o carro, quando entrou no quarto viu uma coisa que a transtornou; Julia estava sentada na cama, em direção à porta com uma faca na mão, em segundos Julia pulou pra cima dela gritando:

- Sua cachorra como você pode me trair - Carla não entendeu nada do que estava acontecendo, e, por puro reflexo, (graças ao treinamento que recebeu por causa do cargo de advogada) conseguiu desviar de uma Julia histérica e desarmá-la. Julia estava fora de razão.
           
- Juli, O que houve? Do que você ta falando? – Carla estava pasma com Julia nunca a tinha visto naquele estado e elas se conheciam a anos
- Você me traiu eu sei, não adianta negar – Nisso Julia foi pra cima de Carla dando socos contra o peito dela.

Carla a segurou e a prendeu num abraço. Julia se debatia e Carla tentava tomar o controle da situação.

- Juli do que você ta falando eu nunca te trai, se acalma, me escuta eu nunca te trai, por favor se acalma.

Julia ouvia mas não queria escutar o que Carla estava falando, a seu ver, tinha sido enganada e só queria fazer a Carla sentir a dor que ela estava sentindo

- Você me traiu, me traiu.
- Juli eu nunca te trai, me escuta olha pra mim – Carla levantou a cabeça de Julia pra que ela pudesse olhar nos olhos dela.
- Eu nunca te trai, eu sou sua amiga, sua mulher, eu te amo confia em mim quantas vezes eu menti pra você?

Julia ouvia o que Carla dizia mas as palavras da voz no telefone ecoavam na sua cabeça.

- Vo..você me traiu ele disse que você me traiu. – Julia não conseguia parar de chorar, Carla estava transtornada com a situação mais estava tentando manter a calma.
- Eu nunca te trai Juli, acredite em mim, Quem te falou isso?
- O cara ligou pra cá e começou a falar um monte de coisas de você, que você não estava trabalhando que todas as vezes que você “trabalha” dia de sábado na verdade você ta com outra mulher – Julia estava começando a voltar ao normal

Carla levou ela pra cama, sentou-a na beirada, se abaixou na frente dela e falou:
-Julia eu te amo eu nunca te trai, antes de tudo você é minha amiga e minha mulher, eu te respeito e nunca te trairia.

Julia podia ver sinceridade no olhar de Carla mas estava confusa porque a alguns minutos atrás ela tinha certeza que Carla a traia.

Carla viu a duvida no olhar de Julia, ficou mais magoada do que já estava. Percebeu que não dava pra fazer mais nada agora, as duas estavam exaustas.

- Ta bom Julia você já se acalmou, espero que você acredite em mim porque o que eu disse é a verdade, toma um banho vou fazer alguma coisa pra gente comer depois a gente conversa com calma ta? – Carla dizia isso enquanto conduzia uma Julia que parecia ligada no automático ao banheiro.

Julia estava em um tipo de estado de choque, aconteceram muitas coisas em pouco tempo e ela não sabia como agir ou em quem acreditar, a Carla tinha agido de uma maneira tão sensata que ela não entendia, quando deu por si estava entrando no  banheiro sem saber como tinha chegado ali, olhou pra Carla e ela estava saindo do banheiro mas antes de sair ela se virou e falou:

- Juli eu te amo profundamente, mas nunca mais me ameace com uma faca ou alguma coisa do tipo se não eu sumo e você nunca mais vai saber de mim. – Falando isso ela saiu, fechou a porta e foi pra cozinha.

Julia ficou olhando a porta fechada por alguns minutos ate perceber o que tinha acontecido e de repente tudo voltou à sua mente como um filme e ela não sabia o que sentir; abriu o chuveiro e ficou em baixo dele pensando.

Carla foi pra cozinha, não era assim que ela esperava que tivesse terminado o seu dia; aparentemente estava bem, pegou um pacote de hambúrguer (comida rápida ninguém ta com cabeça pra fazer uma coisa elaborada né) e um arroz do almoço que estava na geladeira, quando ela pegou o pacote de hambúrguer percebeu que estava tremendo, mas, agora não era hora pra isso; estava com fome e depois de tudo o que aconteceu comer seria uma ótima idéia.

Julia terminou o banho, o interessante era que tudo que tinha acontecido parecia um filme e não um fato que tinha acontecido a alguns minutos atrás. Depois do  banho se sentia um pouco mais centrada e começou a pensar que serealmente a Carla não a estivesse traindo, ela teria feito uma besteira enorme usando aquela faca (obvio que se ela estivesse traindo teria sido uma besteira enorme do mesmo jeito afinal ninguém tem o direito de tirar a vida de ninguém mais a Julia não esta muito racional no momento). Ela ainda não estava convencida que a Carla não a tinha traido, se vestiu e foi pra cozinha, quando chegou lá viu a Carla fritando uns hamburgueres e... chorando? A Carla estava chorando, ate mesmo pra Julia era raro ver a Carla chorando, não que ela não tivesse visto e estado do lado, mas que era raro era.

Julia não sabia o que falar então falou a primeira coisa que veio na cabeça.
- Oi.

Carla se assustou enxugou os olhos e olhou pra ela.
- Oi, senta ai já ta quase pronto.
- Olha Carla eu...
- Depois Julia, vamos comer depois a gente conversa.
- Ta – Julia não tinha mais nada o que dizer.
           
Sentaram-se e comeram, nenhuma das duas estava com apetite mas comeram tudo sem se falar.

Terminaram, levaram a louça pra pia e deixaram lá, ninguém estava afim de lavar louça, não agora, elas tinham muito o que conversar.

Foram pra sala, não sabiam direito o que falar.
Carla começou:
- Me conta o que aconteceu.
           
Julia olhou pra ela, conhecia a Carla, ela parecia segura e quem não a conhecesse acharia que estava tudo bem mas ela via em seus olhos que estava sofrendo.

Julia respirou fundo e contou de novo o que tinha dito antes:

- Um cara me ligou lá pelas 19:30 falou que você estava me traindo não só hoje mas todas as vezes que você dizia que tinha que trabalhar dia de sábado, ele falou que aquela mulher com quem você falava um dia desses era uma de suas amantes, eu não acreditei no começo mas depois eu comecei a juntar as coisas os seus trabalhos extras, as suas irritações sem sentido, às vezes, e os presentes pra me compensar pelos sábados, eu pensei pelos sábados ou pela traição?

Carla ouvia e não acreditava, primeiro que alguém tinha ligado pra difama-la pra sua esposa, segunda que sua esposa tivesse acreditado e ainda tivesse “arranjado provas”. Ela estava indignada olhou pra Julia e falou:

- E você acreditou é, porque eu não vejo um pingo de duvidas nas suas afirmações mesmo sem ter uma prova a não ser o fato de um estranho ligar pra cá falar um monte de coisas de mim, e você acreditar assim sem mais nem menos e ainda dar razão juntando fatos que não têm nada haver.
- Nada a ver, então quem era aquela mulher com quem você falava?
- Aquela mulher como eu te disse no dia foi uma amiga minha.
- Amiga sua como se eu não a conhecia?
- Foi uma amiga antes de eu te conhecer Julia, eu já te expliquei isso.
- E os trabalhos dia de sábado agora todo sábado é isso?!
- É final de ano Julia a gente tem que organizar o maximo de processos possíveis pra não acumular pro ano que vem eu já te expliquei isso também. – Carla estava começando a perder a paciência.
- Mas e...
- Julia olha só, pra mim chega, ok? Você não acredita em mim e depois da quase facada eu não confio mais tanto em você, já pensou se eu não tivesse me desviado? Você teria acabado com sua vida, amanhã eu vou embora vou alugar um apartamento sei lá mas assim não da pra ficar.
- Não, Carla espera, eu pensei, sim sobre a faca foi burrice um momento de burrice, e eu pensei também que se você não me traiu – Carla revirou os olhos, não conseguia acreditar que Julia não acreditasse nela – quem ligou deve estar querendo nos ver separadas e se nos separarmos a pessoa vai conseguir o que quer.

Carla pensou nisso por um momento, era óbvio pra ela que alguém queria separa-las porque se a Julia não tinha certeza ela tinha certeza que não estava traindo e o pior era que não tinha como descobrir quem era ou será que teria?

- Ta Julia você tem razão alguém ta tentando separar a gente e não vamos dar o gostinho de vitória pro safado, mas, já que no momento você não acredita em mim e eu não confio mais tanto em você, aqui dentro estamos separadas, eu vou dormir no outro quarto, você fica com o nosso – Falando isso Carla se dirigiu ao quarto de hospedes deixando uma Julia sem ação na sala.

Carla entrou no quarto e pensou “Quem bom que a gente tem um quarto de hospedes senão ia ter que dormir no sofá”. Carla deu um sorriso com a conclusão idiota e foi tomar banho. Não conseguia imaginar quem teria feito uma coisa dessas, inventar toda uma estória de traição sobre ela, mas, o que ela não conseguia aceitar era a forma que Julia tinha reagido, sem um voto de confiança. Ela sabia que Julia era ciumenta mas uma faca qual é, isso é loucura.

Carla terminou o banho se vestiu e foi deitar. Sentiu falta de Julia do seu lado; a noite não ia ser fácil e do jeito que as coisas iam as noites seguintes também não seriam.

Julia estava na mesma situação que Carla, mas, com um agravante; ela fez uma loucura, poderia ter machucado seriamente a mulher que tanto ama, mais ainda, assim não conseguia acreditar totalmente na inocência dela, e quando Julia deitou na cama percebeu a falta que a Carla fazia nela.

As duas demoraram pra dormir cada uma pensando no que tinha acontecido, no que acreditar e quem seria o responsável por toda aquela bagunça.

No dia seguinte, um domingo lindo ensolarado enfim o dia perfeito, mas, para Carla e Julia o dia não tinha nada de perfeito, a noite mal dormida não tinha ajudado muito. Carla pensava em como provar pra Julia que aquilo tudo era armação e Julia fazia força pra acreditar em Carla, mas o ciúme era mais forte. Passaram o dia sem se falar a não ser o essencial, não queriam estar ali mais também não queriam sair dali, então ficou cada uma no seu canto, perdidas em pensamentos que ate o final daquele dia não tinha dado em lugar nenhum.

Segunda, dia de batente, as duas acordaram cedo como de costume com a diferença que foi sem beijos de bom dia o que fez muita falta.

Carla foi no quarto de Julia pegar as roupas que não tinha tirado ainda do guarda-roupa. Chegando lá Julia já estava acordada mas ainda na cama. Carla não pode deixar de admira-la; mesmo magoada com Julia ela a amava.

- Oi, Bom dia – Disse Julia
- Oi bom dia só vim pegar umas roupas aqui não demoro.
- Não precisa ter pressa, vai trabalhar é? – Julia falou com um tom mais irônico do que pretendia.
- É Obvio que sim Julia. – Carla respondeu de uma forma mais grossa do que pretendia.
- Ta bom então – Julia e virou pro outro lado na cama e respondeu como se não fizesse diferença o tom da resposta de Carla.
- E você não vai trabalhar?
- Daqui a pouco.

Carla pegou suas roupas e saiu do quarto irritada; se todo dia for começar com essa troca de gentileza isso não vai dar certo.

Carla se arrumou, fez um café rápido e na hora de sair ficou em duvida se falava ou não com Julia antes de sair.

- Pro inferno! – Carla foi no quarto de Julia deu uma leve batidinha na porta e foi recebida com uma resposta
– Entra.
- Oi – Falou Carla sem saber o que estava fazendo ali – Só passei pra dar tchau to indo trabalhar.
- Ta – Julia se virou como se não fosse mais dizer nada mas antes de Carla fechar a porta ela falou – Se cuida, eu te amo – Falou num tom bem baixo.
- Ta, também te amo – Com um sorriso no rosto Carla foi trabalhar.

Depois disso o dia das duas melhorara consideravelmente; elas estavam magoadas uma com a outra sim, mas isso não mudou o fato que se amavam e era bom ouvir isso de novo.

Carla foi pro trabalho pensativa; ela tinha mais ou menos uma idéia de como descobrir quem tinha ligado, mas ela precisava encontrar um amigo.

Carla entrou no escritório pediu pra secretaria segurar as ligações e começou a procurar o contato do seu amigo, ela tinha certeza que tinha o telefone dele em algum lugar, depois de muito vasculhar em agendas, lista de contatos do escritório enfim ela encontrou.

- Alo, eu gostaria de falar com o Julio.
- É ele quem fala?
- Oi Julio é a Carla sua amiga da faculdade.
- Carlinha a quanto tempo, como você ta? O que manda de bom?
- Eu to razoavelmente bem mas pra ficar ótima vou precisar de um favor seu.
- Hum... Sabia que ai tinha coisa, mas pode falar Carlinha o que houve?
- É o seguinte você ainda trabalha naquela empresa telefônica?
- Não, por que?
- Assim, alguém ligou pra casa nesse sábado lá pelas 7:30 quando eu não estava e falou um monte de mentira de mim pra Julia, que eu estava traindo ela essas coisas e a tonta acreditou; tenho que mostrar pra ela que foi um trote, uma sacanagem de alguém.
- Hum...E você queria?
- Bem se você trabalhasse ainda na telefônica eu ia pedir pra você o numero do telefone, o endereço e o script da conversa.
- Entendo... É o seguinte Carlinha eu não trabalho mais lá, mas tenho amigos que me devem favores mas vai custar alguma coisa.
- É caso de vida ou morte Julio! Quanto você quer? – Carla já estava calculando quanto ia ter que desembolsar.
- Hum... Deixa eu ver...
- Fala logo Julio!
- Já que é caso de vida ou morte, eu quero um par de ingressos pra partida de futebol da seleção que vai ter nessa sexta-feira.
- Só isso? – Carla perguntou desconfiada.
- Camarotes! Por Favor!
- Blz, você consegue isso pra quando?
- Bem, vou ter que cobrar uns favores como te disse então deve demorar um pouco mais, como você vai me dar os ingressos, com certeza antes de sexta já devo ta com tudo em mãos.
- Blz Julio faz isso por mim que vou ficar muito grata.
- Ta e Carlinha... Não fica triste, vai dar tudo certo entre você e a Julia.
- Eu espero Julio, obrigada.
- Te mais.
- Te.

Julia se arrumou pra ir trabalhar; ficou comovida por Carla ter dado tchau pra ela pois ela sabia que Carla estava magoada.

Ela estava começando a se arrepender da maneira que tinha falado com Carla e estava começando a ver que não tinha sentido a ligação, mas toda vez que ela pensava nisso a voz da ligação fica falando na cabeça dela e ela sentia medo de estar sendo enganada por Carla.

Ela tomou o café que Carla tinha preparada alias, um ótimo café e foi pro trabalho, estava atrasada mas como nunca se atrasava pelo menos uma vez ela tinha que tirar vantagem do cargo de gerência.

Chegando lá estava tudo tranqüilo ninguém comentou sobre seu atraso e ela também não deu satisfação pra ninguém, ela gostava do seu trabalho; uma das coisas que ela gostava era de estar em meio aos clientes, assim se eles tivessem alguma coisa pra perguntar não teria muita burocracia e o problema seria resolvido mais rápido, o que deixava os clientes felizes com a certeza de quem voltariam.

Uma das clientes sempre ia lá fazer suas compras, pelo menos umas quatro vezes por semana. Sempre comprava pouco, era estranho mas ninguém comentava.

Ela passou perto da Julia e viu que mesmo ela se esforçando pra parecer alegre dava pra perceber que ela estava meio triste.

- Oi, Você ta legal?
- Oi, estou ótima.
- Bem, meu nome é Cristine pode me chamar de Cris se quiser, tem certeza que você ta bem, eu sempre te vejo por aqui e hoje você esta com o olhar abatido?!
- Meu nome é Julia eu realmente não estou muito bem mas você não se interessaria.
- Olha Julia eu sempre te vejo por aqui e quero que saiba que em mim você tem uma amiga, se precisar conversar pode contar comigo.
- Bem... Eu realmente preciso conversar com alguém e sempre te vejo por aqui, eu tenho horário livre na hora do almoço...
- Perfeito eu volto aqui mais tarde e agente conversa.
- Ta.

Julia não entendeu muito a reação “empolgada” de Cris mas ela realmente precisava conversar com alguém e Cris parecia ser uma boa pessoa e tecnicamente elas se conheciam fazia tempo já que as duas sempre estavam por ali por assim dizer.

Na hora do almoço Cris já tinha chegado e estava esperando Julia sair.

- Desculpe a demora Cris, um problema de ultima hora.
- Sem problemas Julia, onde vamos?
- Bem tem um restaurante aqui perto, é bem tranqüilo e a comida é ótima.
- Pra mim ta ótimo.
- Blz, então vamos lá.

Realmente o restaurante era tranqüilo tinha pouca gente no momento e elas escolheram uma mesa mais afastada, fizeram os pedidos e enquanto esperavam começaram a conversar.

- Bem Julia o que houve, por que você está tão abatida?
- Aconteceu uma coisa no final de semana, alguém ligou lá pra casa e disse que minha esposa estava me traindo.
- Sua esposa?
- É eu esqueci de falar, eu sou lésbica e casada, algum problema?
- Não que é isso Julia problema nenhum continue.
- Ta, bem o cara ligou pra falar que minha esposa estava me traindo e que isso já fazia tempo; eu não acreditei na hora mas comecei a pensar em tudo o que o cara me falou e comecei a juntar as peças e cheguei a conclusão que ela estava me traindo; fiquei com ódio dela, peguei uma faca e esperei ela chegar, quando ela chegou pulei em cima dela com a faca e graças a Deus ela conseguiu desviar e me desarmar, me perguntou o que estava acontecendo eu falei da ligação, ela falou que era tudo mentira e que não acreditava que eu tinha acreditado numa ligação de alguém que eu nem conhecia.
- E você acreditou porque?
- Porque o cara sabia meu nome, sabia o nome dela, sabia os horários de trabalho e um fato que aconteceu semana passada.
- E como ela reagiu?
- Negou e nega ate hoje que isso seja verdade.
- Vocês ainda estão juntas?
- Sim tendo em vista que pode ser alguém querendo nos separar resolvemos ficar na mesma casa mas estamos em quartos separados – Julia falou isso com tristeza no olhar.

A comida chegou e foi servida, enquanto comiam continuavam conversando.

- Olha, posso dar a minha opinião?
- Por Favor!
- Acho que você se precipitou, você deveria ter conversado com ela e se ela diz com tanta veemência que ela não te traiu e você concordou que talvez seja alguém tentando separar vocês quer dizer que no fundo você acredita nela.
- É, acho realmente difícil ela ter me traído mas a duvida.
- A duvida não existe, você que ta criando.
- Mas de qualquer jeito ela ta magoada comigo.
- Reconquiste-a, se vocês se amam como você disse isso é possível.
- Talvez você esteja certa, vou pensar nisso e obrigada. Nossa olha a hora já está na hora de eu voltar pro serviço
- Pode deixar que eu pago você já ta atrasada.
- Não que isso você me ouviu...
- Eu ouvi por que sou sua amiga e faço questão de pagar.
- Bem se você insiste.
- Ótimo. Garçom Por Favor a Conta.

Depois de falar com Julio Carla ficou mais aliviada, iria provar que aquela ligação era mentira e de quebra se o Julio conseguisse o endereço ia descobrir quem era o espertinho que estava sacaneando com ela. O dia de trabalho foi corrido, era muito coisa pra fazer fora os problemas com a Julia que tiravam um pouco de sua concentração, mas o dia já estava encerrado era hora de ir pra casa só ainda não conseguia saber se isso era bom ou ruim.

Julia pensou muito sobre o que Cris tinha falado pra ela e também pensou que essa nova amiga tinha vindo numa ótima hora; ela não acreditava muito na inocência de Carla mas a amava muito e estava disposta  a passar uma borracha nisso e ficar em paz com ela.

Carla chegou em casa, Julia já tinha chegado já que o carro dela estava na garagem.
Carla entrou em casa e não viu ninguém.
- Julia você ta ai?
Nenhuma resposta; ela olhou pela casa e não a encontrou. Chegou a conclusão que ela devia ter saído pra comprar alguma coisa por perto.

Foi pro seu quarto, tirou a roupa e foi tomar um banho pra relaxar - muito merecido por sinal.
Quando saiu do banheiro seu quarto estava numa penumbra, olhando atentamente ela viu um vulto, olhando mais atentamente ainda ela reconheceu a Julia.

Ela estava vestida com uma camisola que não escondia nada e se insinuando pra ela.
Carla desaprendeu a respirar mas conseguiu falar.
- O que você ta fazendo Juli?
           
Se aproximando ela falou – Não é obvio amor – Chegando mais perto pôs os braços em volta do pescoço de Carla e lhe deu um beijo cheio de desejo que foi prontamente respondido da mesma forma.

- Eu te amo - disse Carla quando parou o beijo pra pegar um pouco de fôlego.
- Eu também te amo e por isso te perdôo e estou disposta a colocar uma borracha em tudo o que aconteceu.
Dizer que aquelas palavras foram um balde de água fria pra Carla é pouco.

Ela se soltou dos braços de Julia e perguntou:
- Como é que é Julia? Você me perdoa, me perdoa do que? Porque pelo que eu saiba, não fiz nada que tenha que ser perdoado.
- Não importa amor eu te perdôo.
- Como não importa você ainda não acredita em mim!
- Mas...
- Sem mais Julia, sai do meu quarto Por Favor.
- Mas Carla eu...
- Sai. Por Favor. – Carla disse isso se dirigindo a porta.

Julia não sabia o que fazer a não ser sair, não era assim que ela esperava que a noite acabasse.

Carla estava triste pela forma que Julia tinha saído do quarto mas a raiva estava sendo mais forte. Ela se vestiu e foi deitar mais uma noite sozinha na cama.

Julia não entendia o porque da reação de Carla ela disse que a perdoava, a não ser que realmente não tivesse o que ser perdoado.
Terça, outra noite mal dormida humores pior do que o dia passado.

Carla acordou tomou banho, se arrumou, fez o café e foi embora; estava de mal humor e se falasse com Julia ia acabar tratando ela mal e depois se arrependeria, então só deixou um bilhete em cima da mesa perto do café.

Julia acordou sentiu falta de Carla na cama ai lembrou de tudo o que tinha acontecido e principalmente da noite passada, que fiasco. Estranhou o fato de Carla ainda não ter ido falar com ela já que estava tarde, levantou e foi ver se ela ainda estava dormindo; pra sua surpresa não a encontrou. O pânico caiu em cima dela correu pra ver se as roupas estavam no guarda-roupa e com alivio viu que estavam, então ela não tinha ido embora. Julia tinha que se arrumar pra ir trabalhar tomou banho, se arrumou e foi pra cozinha encontrou o café feito e o bilhete de Carla em cima da mesa:
Fui Trabalhar
Ainda te amo
Ainda Te Amo nossa ela ta realmente magoada.

Julia foi trabalhar não tinha mais nada pra fazer mesmo.

No Trabalho Carla deu Bom Dia pro povo mas se limitou a isso, não estava afim de papo.
Pegou o telefone e ligou pro Julio:
- Alo
- Julio é a Carla conseguiu o que eu te pedi.
- Carlinha ainda não consegui, vou falar com um amigo meu hoje, no máximo ate quinta eu to com tudo, não esquenta vai dar tudo certo.
- Ta Bom Julio quando conseguir me avisa imediatamente, Por Favor.
- Tranqüilo Carlinha Abraços.
- Abraços Te mais.
- Te.

Julia estava pior do que ontem, a tristeza era visível e quase não conseguia disfarçar; por sorte a sua nova amiga viu como ela estava.

- Julia o que houve você está pior que ontem.
- Obrigada.
- Desculpe Julia mas é verdade o que foi que houve você quer conversar?
- Quero.
- Ok então podemos ir para o seu escritório?
- Podemos.

Chegando no escritório.
- Então Julia o que aconteceu?
- Eu pensei no que você me disse e fui tentar fazer as pazes com a Carla só que eu falei que eu a perdoava, ai ela ficou revoltada dizendo que não tinha nada o que ser perdoado e me expulsou do quarto.
- Hum... Se ponha no lugar dela Julia se você não tivesse traído você precisaria ou gostaria de ser perdoada por uma coisa que não fez.
- Não
- Pois é.
- Mas que droga eu não dou uma dentro sempre faço a coisa errada.
- Calma o que eu te falei ontem ainda ta valendo se vocês se amam da pra resolver.
- Obrigada por tudo Cris.
- De nada eu sou sua amiga e amigos são pra essas coisas.
- Mesmo assim obrigada.

Carla chegou primeiro em casa, não estava com paciência pra ficar no escritório mais do que o necessário; resolveu o que dava pra ser resolvido e foi embora. Não foi direto pra casa, foi dar uma volta de carro ela adorava dirigir e fazia muito tempo que não fazia isso simplesmente pegar o carro e andar por ai.

Quando chegou em casa achou estranho que de repente a casa não trouxesse mais o conforto e alivio de antes ai ela se deu conta do que ela já sabia, não era a casa era a Julia e estar nessa situação ruim com ela tirava toda a graça do resto.

Enquanto ela estava no banheiro Julia chegou viu o carro de Carla e achou estranho ela ter chegado primeiro.

Foi no quarto de Carla a porta do banheiro estava trancada, ela deu duas batidas na porta e perguntou:
- Carla ta tudo bem?
- Ta Julia.
- Ta bom então vou tomar banho.
- Ta.

Quando Julia saiu do banho Carla já estava arrumada na sala assistindo TV.

- Porque você chegou cedo?
- Que foi Julia agora vai dizer que as outras vezes que eu cheguei mais tarde eu estava com alguém?
- Não é que... Poxa Carla precisava ser tão grossa.
           
Carla se arrependeu da forma que falou quando viu a cara de choro da Julia.

- Desculpa Juli saiu sem querer. Vem cá.

Carla se levantou e puxou Julia pra um abraço, um abraço que as duas estavam sentindo falta.

- Estava sentindo falta disso.
- Eu também.
- Por que você não falou comigo quando saiu de manha?
- Porque eu estava de mal humor e se eu falasse com você ia acabar te machucando como ainda agora e eu não queria isso.
- A gente já ta de bem?
- Você já acredita em mim? – Carla perguntou olhando nos olhos de Julia.
- J..Já
           
Carla abaixou a cabeça viu que a Julia ainda não acreditava e pra ela confiança era uma coisa muito importante.

- Você ainda não acredita em mim Juli.
- Mas eu te amo Carla isso que importa.
- É verdade, mas sem confiança o amor acaba. Eu vou pro meu quarto sei que ainda ta cedo mas quero ficar um pouco sozinha – Dizendo isso ela deu um beijo com muito carinho na testa de Julia e foi pro quarto.

Julia ficou na sala olhando pra TV só olhando mesmo porque a mente dela estava em outro lugar, em outra época pra falar a verdade, quando ela e Carla eram apenas amigas, apenas não, elas eram cúmplices, irmãs, só as duas já faziam uma família. Julia foi pro quarto sentindo falta dos tempos de criança onde tudo era mais fácil.

Carla no quarto pensava a mesma coisa, viajando em lembranças acabou pegando no sono.

Julia não conseguia dormir rolou de um lado pro outro da cama, se ela tivesse mais uma noite mal dormida era bom ela nem aparecer no trabalho e pensando nisso arrumou uma solução.

Carla estava sonhando com ela e Julia criança aprontando na escola enchendo o saco dos professores, de repente no sonho ela começa a ouvir um barulho “toc”toc”toc” devagar ela vai acordando e percebe que o barulho vem da porta do seu quarto, levanta meio sonolenta e abre a porta pra encontrar uma Julia chorosa olhando pra baixo.

Com a voz embargada de sono ela pergunta.
- Que foi Juli?
- Tive um pesadelo. – Julia responde num resquício de voz
- Ahãn?.
- Tive um pesadelo não consigo dormir posso dormir com você?

Carla não acreditava no que estava ouvindo – Ta falando serio?
- É só dizer não e eu volto pro meu quarto! – Julia já estava dando meia volta pra sair quando sentiu uma pressão no seu braço.

Com um sorriso nos lábios Carla falou - Não, É claro que você pode dormir comigo, ou você acha que eu vou deixar você enfrentar seu pesadelo sozinha.

Julia não acreditava que tinha dado certo ela jogou pra arriscar e deu certo ela queria mais que só dormir, mas pra brecha que a Carla tinha dado era melhor não abusar.

Carla deitou na cama e puxou Julia pra um abraço, Julia deitou ao lado de Carla com cabeça no peito e um braço ao redor da cintura dela.

Carla deu um beijo na cabeça dela e falou:
- Dorme Juli, nenhum pesadelo vai te incomodar agora.- Falando isso ela voltou a cair no sono com um sorriso no rosto.
- Boa Noite Amor – Disse Julia começando a pegar no sono.
- Boa – Respondeu uma Carla Já dormindo.

Quarta, Carla foi a primeira a acordar e ficou olhando Julia ainda dormindo, ela não acreditava no papo do pesadelo mas ela também queria dormir abraçada com a Julia já que estava ali né, porque não? Por um orgulho besta, com certeza não. Vai que ela tivesse tido um pesadelo mesmo, o remorso depois.

Ela tentou se levantar sem fazer barulho pra não acordar a Julia o que não era muito difícil porque quando Julia dormia o difícil era fazer ela acordar.

Ela se levantou se arrumou fez o café e voltou pra acordar a Julia.
- Dorminhoca acorda.
Julia ouviu e virou pro outro lado da cama.
– Huumm
- Acorda Juli eu já vou.
- Hummm, Vai pra onde?
- Trabalhar oh, hoje é quarta eu trabalho e você também.
- Hummm não dá pra faltar não?
- Não Juli, eu já vou indo só vim te dar um beijo de Bom Dia.
- Hummm, Beijo, Bom Dia, Bom – Dizendo isso ela puxou Carla pra cama e deu um beijo nela de bom dia.
Quando se separaram Carla perguntou
- E pesadelo teve algum?
- Pesadelo, faz um tempão que eu não tenho pesadelos. – Na mesma hora que ela terminou de falar ela se arrependeu mais não deixou transparecer pelo menos é o que ela achava.

Carla olhou pra ela séria - Ue você não falou que tinha tido um pesadelo ontem a noite e por isso tinha vindo dormir aqui?
- Ah é que eu dormi tão bem o resto da noite que tinha me esquecido.
- Hum... Sei, Bem vou indo até mais tarde.
- Ta Bom Te cuida – Puxou ela pra mais um beijo e quando se separaram – Te Amo.
- Também Te Amo

Quando Carla saiu do quarto Julia ficou aliviada quando viu que Carla tinha engolido a historia do pesadelo.
Carla saiu do quarto rindo.
- Pensa que me engana.

O dia passou da mesma forma dos outros com a diferença que as duas estavam com o humor bem melhor do que dos últimos dias o que não passou despercebido por Cris que foi logo perguntar pra Julia se estava tudo bem.

- Tudo Ótimo Cris a Carla baixou a guarda e estou conseguindo me reaproximar dela.
- Que bom Julia fico feliz por você.
- Obrigada Cris, Obrigada mesmo.
- Por nada Julia.

Carla ligou pro Julio de novo.
- Julio conseguiu falar com seu amigo?
- Consegui Carlinha ele vai conseguir o que você pediu hoje, ai amanha eu te entrego; pode ser na hora do seu almoço, você já comprou os ingressos né?

Carla tinha esquecido dos benditos ingressos agora ela provavelmente ia ter que pagar mais caro por eles.
- É lógico que eu já comprei os ingressos se você não conseguisse o que eu pedi ia vender no dia como Cambista.
- Hum... Que bom que você já comprou porque o preço aumentou hoje.
MERDA
- Não esquenta estou com eles aqui na minha frente.
- Ta, amanha no almoço a gente se fala.
- Ta, Te mais.
- Te amanha.

Mais essa agora onde ela ia ter que comprar os ingressos. Ela pegou as coisas falou pra secretaria que tinha que resolver um problema e foi embora atrás dos ingressos.

No estádio onde ia ser o jogo estavam sendo vendidos os ingressos e uma fila enorme já estava lá quando Carla chegou ela amava muito, muito, mas muito mesmo a Julia porque se não fosse isso ela tinha ido embora na hora, desembolsou mais de mil reais nos ingressos, o que deixou ela feliz foi saber que ia provar pra Julia a inocência dela e ainda ia descobrir quem era que estava armando pra ela, aquele dinheiro ia valer a pena.
Mais um dia de trabalho concluído menos um dia pra provar a inocência de Carla pra Julia.
À noite Carla chegou mais cedo e num estado lamentável de quem passou horas numa fila no sol quente pra comprar ingressos sorte que a Julia não estava em casa se não ela ia perguntar porque ela estava naquele estado e ela só queria falar sobre os ingressos e o que ela tinha pedido de Julio quando estivesse com tudo em mãos. Foi tomar um banho correndo antes que Julia chegasse.

Quando Julia chegou Carla já estava pronta lendo alguns papeis na mesa da sala.
- Oi amor cedo em casa?
- É, no escritório estava muito barulho não dava pra me concentrar então vim pra casa ler os relatórios aqui.
- Hum... É mesmo é?
- É, Por que?
- Porque eu passei lá no seu escritório e estava tudo bem tranqüilo por lá.
- Err... Bem...
- Porque você está mentindo Carla?
- Eu não estou mentindo, eu sai do escritório e vim pra cá trabalhar porque aqui era mais tranqüilo.
- Hum... Ta então eu acredito.
- Por que não acreditaria?
- Por que será.
- Julia se você quer falar alguma coisa fala logo.
- Não quero falar nada vou pro meu quarto.
- Pois eu também não quero ouvir e vou pro meu.

Pow... Uma porta bate.
Pow... Outra porta bate.

"Que droga’". As duas gritam ao mesmo tempo.

Outra noite mal dormida, duas mulheres estressadas no mundo assim que nasce um novo dia. Será?

Quinta, É hoje, apesar da noite mal dormida Carla acorda agitada, hoje no almoço ela conseguiria os scripts da conversa e o endereço do infeliz que sabotou o casamento dela.

Faz o café e vai falar com a Julia.
- Julia eu já vou.
- Já não vai estar muito barulhento hoje não?
- Julia não começa, faz assim, hoje eu te explico tudo, realmente ontem eu menti pra você.

Julia vira num sobressalto pra ela.
- Como é?
- É Julia ontem eu menti pra você mas não como você pensa, eu nunca te trai e nem pretendo ok, vou resolver uma coisa hoje quando eu chegar eu te explico porque não te contei a verdade.

Uma Julia sem reação responde – Ta.
- Blz Te Amo não duvide disso. – Se abaixou e deu um beijo apaixonado em Julia que automaticamente saiu de seu estado torpe e correspondeu ao beijo.
- Também te amo.

Carla deu um sorriso um dos mais lindos que a Julia tinha visto.
- Vou indo até mais tarde.
- Ate se cuida.

Julia ficou na cama pensando (de novo) em tudo que Carla tinha lhe falado
- Então ela realmente tinha mentido, O que será que ela vai me falar hoje? Bem eu tenho que ir trabalhar e essa semana eu só tenho chegada atrasada.

Carla chegou contagiante no trabalho mas sem cabeça pra trabalhar, a única coisa que ela pensava era no almoço quando ela ia ter o script da conversa e o endereço do cara.

Próximo da hora do almoço ela ligou pro Julio
- Alo
- Julio onde a gente se encontra?
- Pode ser naquele restaurante perto do seu escritório to morrendo de fome?
- Blz, Julio te espero lá em 10 min.
- Ta mais eu to liso você paga.

Soltando a respiração ela respondeu – Ta Julio ate lá.

Restaurante:
Carla já estava na mesa a uns 5 minutos quando o Julio apareceu.
- E ai Julio cadê?
- Ta tudo o que você pediu ai, já pediu o almoço? – disse ele sentando e entregando um envelope pardo com os documentos pra Carla.
- Ainda não pedi não estava te esperando.
- Hum... To morrendo de fome.
- Me diz uma coisa Julio se você ta liso por que não pediu dinheiro em vez de ingresso.
- Por que você é minha amiga ue, sei lá, pedir dinheiro fica estranho.
- Você e doido.
- Eu sei, Garçom... – Julio levantou a mão chamando o garçom e fez os pedidos.

Depois do pedidos feitos ele olhou pra Carla que estava encarando os papeis na mão.
- E ai não vai ler?
- Vou mas..
- Abre logo isso e lê.
- Ta.

Carla abriu e começou a ler o script da conversa.
- Bem pelo menos quando terminou a ligação a Julia não acreditava nele.
- O endereço reconhece?
- Não, não sei nem onde é.
- Eu fui atrás de saber, o bairro é bem longe, mas ainda é na cidade, o estranho é alguém que você não conhece ligar do outro lado da cidade passando um trote.
- É muito estranho mas eu vou tirar a prova disso.
- Olha lá o que você vai fazer Carla não vai se meter em encrenca.
- Relaxa Julio você sabe que eu sou uma pessoa sensata.
- Sei... – Julio falou sem muita convicção.
- Almoço – Carla falou quando viu o garçom vindo com os pratos.
- Já era hora.

Depois que o almoço terminou Carla pagou a conta e Julio ficou encarando ela.
- Que foi?
- Não ta esquecendo nada?
- O que?
- Meus ingressos!
- Pois é Julio queria falar com você sobre isso é que eu esqueci...
- Esqueceu Carlinha, Pó esqueceu – Julio já tava fazendo cara de desesperado.
- Calma oh ta aqui os ingressos só estava brincando. – Carla mostrou os ingressos rindo do amigo.
- Pó não faz isso não Carlinha fiquei com o coração na mão agora.
- Ta Julio mas posso perguntar quem você vai levar?
- Sinceramente ainda não sei vou ver hoje.
- Só você mesmo pra me fazer comprar dois ingressos e não ter nem quem levar.
- Apenas um detalhe que logo vai ser resolvido.
- Ta vou indo Julio e obrigada por tudo
- De nada Carlinha. Boa Sorte com a Julia. Vai dar tudo certo.
- Tomara tchau.
- Tchau.

Julia passou o dia pensando no que a Carla havia falado pra ela passou o dia todo ansiosa e curiosa pra saber qual era o assunto. Pena que a sua nova amiga não tinha ido hoje no supermercado pra ela poder falar com alguém.

Quando chegou em casa Carla já estava lá sentada no sofá com um envelope no colo e assistindo TV.
- Oi E ai vai me falar agora?
- Oi, não, vai tomar banho e relaxar quando você voltar eu conto.
- Ce sabe que eu não vou conseguir relaxar de curiosidade.
- Vai logo Juli quanto mais você demorar, mais eu vou demorar pra te falar.
- Ta Bom. – Julia saiu fazendo bico e Carla ficou rindo na sala.

Aquela descontração não ia durar muito quando Carla falasse pra Julia o que tinha em mente.

Julia chegou na sala sentou do lado da Carla no sofá.
- Agora conta
- Ta no dia que você falou da ligação eu não sabia o que fazer pra provar que eu era inocente daquelas acusações já que a minha palavra não valia mais do que a de um estanho no telefone.

Julia ouvi e sentiu muito ressentimento na voz de Carla mais não interrompeu.
- Passei o domingo pensando em como poderia provar pra você e lembrei de um amigo meu da faculdade acho que você conheceu ele o Julio lembra?
- Não assim de nome não lembro.
- Bem na segunda eu liguei pra ele e perguntei se ele ainda trabalhava na empresa de telefonia, ele falou que não e perguntou porque ai eu expliquei toda a historia da ligação pra ele, ai ele disse que não trabalhava mais lá mas que tinham amigos que podiam ajudar ai ele conseguiu o script da conversa daquele dia, o telefone e o endereço de quem ligou, em troca eu ia comprar dois ingressos de camarote pro jogo que vai ter amanha da seleção acontece que eu tinha esquecido de comprar os ingressos e ontem o Julio falou que tinha conseguido tudo que eu tinha pedido então eu sai do trabalho e passei a tarde numa fila pra comprar o par de ingressos.
- E porque você não me contou nada disso?
- Porque você poderia pensar que era só uma forma de desculpa esfarrapada sei lá você não acredita em mim.
- Então esse papel na sua mão ...
- É tudo o que eu pedi dele.
- Posso ver?
- Claro.

Depois de ler todo script da conversa de novo alguma coisa lhe parecia familiar mas ela não sabia o que era.
- É foi essa ligação mesmo.
- E o endereço você reconhece?
- Não, não sei nem onde fica.
- O Julio falou que fica do outro lado da cidade.
- E o que você pretende fazer com isso.
- Eu nada, mas nós vamos amanha nesse endereço.
- Como é?
- E lógico Julia eu quero descobrir quem armou pra mim porque eu não te trai você acreditando ou não.

Julia olhou pra Carla depois de tudo o que a Carla tinha feito era impossível que ela a tivesse traído.
- Eu acredito em você – Julia falou num fio de voz.
- Como, eu não ouvi?
- Eu acredito em você, Me perdoa. – Dito Bem alto

Carla deu um sorriso pra ela
- Ah meu amor você vai ter que fazer muito mais que pedir perdão ainda não esqueci da quase facada.
Julia gelou com a lembrança.
Carla percebendo:
- Relaxa amor amanha a gente fala sobre isso; liga logo pro seu trabalho e avisa que amanha você não vai. A gente tem que dormir cedo por que vai ficar de campana na frente da casa do cara pra descobrir quem é.
-Serio? – Uma Julia com cara de espanto.
- Serissimo meu amor agora vamos dormir que amanha o dia pode ser cansativo.

Carla já estava se dirigindo pro quarto de hospede quando a Julia perguntou
- Pra onde você vai?

Carla olhou pra ela com cara de quem na tava entendendo
- Seu quarto é ali – E apontou pro quarto delas.
- Tem certeza você não duvida mais de mim?
- Certeza absoluta meu amor anda vamos dormir. – Julia foi ate Carla segurou a mão dela e a conduziu pro quarto.
- Carla se jogou na cama e falou nossa como senti falta dessa cama.
- Só da cama? – Perguntou Julia fazendo bico.

Carla se fez de desentendida – E do que mais eu poderia sentir falta.
Julia olhou pra ela com cara de espanto.
E Carla continuou - Do que mais eu poderia sentir falta alem de uma cama gostosa e de uma mulher mais gostosa ainda que é só minha – Carla falou olhando pra Julia com um sorriso sacana.
- Não gostei da brincadeira.
- Vem cá logo – Disse Carla puxando Julia pra cama – Hoje a gente tem que dormir cedo mas amanha você não escapa.
- E quem ta tentando fugir? – Julia respondeu olhando nos olhos de Carla
- Te amo sabia.
- Sabia, Também te amo.
- Mas vamos dormir que amanha o dia promete.
- Ta Boa noite Amor.
- Boa noite Juli.

Enfim uma noite tranqüila sem mentiras mas com apreensão do que aconteceria no dia seguinte.

Carla acordou cedo e foi a primeira a acordar, foi se arrumar e  Julia ainda dormia profundamente com um enorme sorriso no rosto. Carla ficou com pena de acorda-la mas era preciso, elas não tinham idéia de onde ficava a casa e ate chegar lá e encontrar podia demorar um tempo.

Carla começou a dar vários beijos pelo rosto de Julia.
- Acorda amor ta na hora.
- Humm... Ta cedo.
- Anda Juli ainda eu tenho que fazer um café reforçado pra gente levanta vai.
- Humm... Ta mais eu quero mais beijinhos.
- Quantos você quiser. – E Carla começou a dar mais um bocado de beijos em Julia até que chegou em sua boca e rapidamente Julia deu sinal de que estava muito bem acordada. Quando Julia deu espaço pra Carla respirar ela falou – Amor ta bom a gente tem que ir, levanta – Carla deu um selinho rápido em Julia e se levantou.

Julia ficou emburrada na cama mas logo se levantou e gritou pra Carla
- SUA CHATA.

Carla só fez rir da cozinha.

Julia chegou na cozinha arrumada e viu em cima da mesa uma mochila com biscoitos e iogurtes e outras coisas prontas pra comer
- Nossa a gente vai pro outro lado da cidade ou pra uma selva.
- Num exagera Juli a gente vai ficar até o individuo aparecer e dependendo da hora que lê trabalha pode ser o dia todo você vai me agradecer.
- Ta mas com certeza eu não sou a exagerada aqui.
- Ta bom senta ai vai vamos comer.

Já falei que o café da Carla é ótimo pois é naquele dia o café dela tinha se superado.
- Amor seu café hoje está melhor do que nunca.
- É que eu reforcei ele com algumas coisas.
- Eu vou querer saber?
- Acho que não.
- Ta bom então.

Todas prontas, todas a bordo.
- Então vamos?
- Vamos você pegou o endereço?
- Eu não quem pegou foi você.
- Mais essa agora espera ai que eu vou procurar.
- Ta bom.

Alguns minutos depois.
- Achei eu não me lembro de ter guardado no guarda-roupa.
- Fui eu que guardei.
- E por que não me avisou?
- Você não perguntou pensei que tinha visto.
- A Ta...Ta então vamos logo.
- Vamos

Ruas, Ruas e mais ruas.

Elas não sabiam que existiam tantas ruas na cidade e elas com certeza nunca tinham andado por aquelas bandas, não tinha nada de mais naquela área, mas era longe e as duas já estavam cansadas de ficar dentro do carro rodando, pra piorar quando finalmente chegaram no bairro foi uma luta encontrar a rua porque tinha ruas com nomes repetidos mas os números eram diferentes, tipo numa rua só tinha numero par enquanto na outra só tinha numero impar então tinha que descobrir a lógica das nomenclaturas das ruas.

- Amor vamos pra casa eu to cansada de ficar rodando dentro desse carro.
- Nem pensar gastei mais de mil pra conseguir essas informações não saio daqui com as mãos abanando.
- Como assim mais de mil, você não me falou isso
- É que como eu esqueci de comprar os ingressos antes quando eu fui comprar o preço tinha aumentado.
- Mais de mil. – A cara de espanto de Julia era sem comentários.
- ALI.

Julia se assustou com o grito - O que?
- A casa e aquela ali, olha o endereço
Julia olhou o endereço e verificou realmente era ali.
- E agora?
- Agora a gente espera.
- Será que tem alguém na casa?
- Tem um jeito de descobrir.
- Como?
- Pega meu celular ai.
- Toma.
- Pronto agora se é ligar e ver se alguém atende vou colocar no alto-falante pra você escutar mas deixa que eu falo hein?
- Ta.

Tum, Tum, Tum, Tum,
Um movimento na casa.
Click.
Alguém atende o telefone

- Alo – Uma mulher fala
- Oi ligaram pra minha casa no sábado passado desse telefone. Poderia falar com o proprietário.
- Sou eu mesma.
- Alguém mais usa esse telefone?
- Não só eu, quem ta falando?
- Sou eu a Carla mulher da Julia.

A voz do outro lado da linha de repente parou de falar. Julia e Carla se olharam mais não falaram nada.

A voz voltou com um tom mais irônico que antes.

- Mas vejam só Carlinha, você que interessante, como conseguiu meu numero?
- Isso não importa e não me chame de Carlinha, Quem é você? Porque você passou aquele trote pra minha mulher.
- Não é obvio Carla porque você não a merece ela é muito pra você.

Julia ouvia tudo pasma ta que ela acreditava na Carla mas ouvir assim na lata que ela tinha sido enganada ...

- E como você conhece ela, Espera ai quem ligou pra ela foi um homem. – Carla olhou pra Julia pra confirmar o que ela disse Julia fez que sim com a cabeça.
- Tecnologia é uma coisa interessante né espera ai que eu vou te mostrar.

Julia e Carla não faziam idéia de quem era aquela pessoa.

- Oi voltei, demorei? não, acho que não. Olha só, que idiota eu sou não, afinal não da pra você olhar mas eu explico eu usei um modelador de voz você coloca ele no gancho do telefone assim e liga – De repente a voz ficou mais grossa igual a que a Julia tinha ouvido na ligação – Viu agora parece que é um homem no telefone legal né.

Julia estava pasma ela foi completamente enganada.

Carla olhou pra cara de espanto da Julia e não pode segurar um
- Eu te disse.
- Como? – A voz grossa no telefone perguntou.
- Sim, mas você não conseguiu o que queria a Julia nem te conhece porque você fez isso.

Ela desligou o modelador de voz e continuou a falar – Engano seu minha querida – Carla olhou pra Julia sem entender – Ela não me conhecia mas nos aproximamos bastante ultimamente.

Julia olhou pra Carla sem entender menos ainda. Mas de repente a pessoa na casa andou e ficou dentro do campo de visão de Julia, Julia olhou com um enorme espanto quem estava do outro lado da linha, Carla viu a cara que Julia fez e não entendeu olhou pra onde Julia estava olhando e entendeu menos ainda afinal ela não conhecia a mulher.

Julia pegou o telefone da mão de Carla e desligou com tudo. Julia começou a falar coisas sem sentido e Carla não entendia nada.

– Aquela vagabunda, me enganou, me manipulou se fez de amiga.

De repente a Julia saiu do carro com uma fúria que a Carla só tinha visto uma vez e na ocasião a Julia tinha uma faca na mão.

Uma Julia furiosa bateu com tudo na porta da casa da mulher. Carla sem reação só foi andando atrás de Julia sem saber o que fazer.

TUM TUM TUM TUM TUM.

- Mas que barulho é esse. – A dona da casa falou
- ABRE ESSA PORTA – A Julia gritou e a Carla só olhava.
- Mas que – Quando a porta foi aberta a pessoa que abriu fez uma enorme cara de espanto e Julia teve certeza que era ela Cristine a sua mais nova amiga e a Carla só olhava e pensava

“A Julia vai ter muito o que explicar, mas por hora vamos assistir o show.”

- SUA VAGABUNDA – Julia empurrou a Cristine pra dentro da casa - VOCE ME ENGANOU – Um empurrão - SE FEZ DE AMIGA DIZENDO QUE ERA PRA EU FAZER AS PAZES COM A CARLA SO PRA EU ADMIRAR VOCE - Empurrões consecutivos.
- Você não vê ela não te merece.- Enquanto Cristine falava era empurrada.
- E TALVEZ ELA NÃO ME MEREÇA – Carla não acreditou no que ouviu mas Julia continuou – ELA MERECE ALGUEM QUE CONFIE NELA SEM DUVIDAS QUE NÃO FAÇA UMA BURRICE DE PEGAR UMA FACA E AMEAÇA-LA ELA MERECE SIM ALGUEM MELHOR QUE EU.
- Você não vê que ela não te ama se a Carla te amasse ela trabalharia menos pra ficar mais tempo com vo.. – PA - um tapa certeiro de Julia na cara de Cristine que fez ela perder o equilíbrio e cair no chão.
- NUNCA MAIS FALE O NOME DELA, NUNCA MAIS APAREÇA NA MINHA VIDA, NUNCA MAIS QUERO TE VER SE EU TE VIR EU JURO QUE NÃO RESPONDO POR MIM. – Julia ia pra cima de Cristiane de novo mas foi segurada por Carla
- Juli meu amor chega vamos pra casa.

Julia em toda sua fúria tinha esquecido completamente de Carla quando a viu e a ouviu começou a chorar desesperadamente e foi amparada por Carla.

- Vamos ta tudo bem agora. – Carla conduziu Julia ate o carro mas antes de sair da casa falou pra Cristiane - Você ouviu ela né suma, nunca mais pareça.

Cristiane olhou pra Carla com ódio mas não disse nada.
Carla colocou Julia no carro ela estava muito abalada.
- Juli meu amor você ta bem?
- Me perdoa Carla, Me perdoa – Era só o que saia da boca de Julia.
- Juli ta tudo bem agora não precisa se preocupar ta bom?

Julia parecia uma criança que tinha feito algo muito errado.
- Ta.
- Ótimo vamos pra casa se quiser tirar um cochilo quando chegar eu te acordo – Falando isso deu um beijo na testa de Julia e colocou o carro em movimento.

Não demorou muito e Julia adormeceu.
Carla foi dirigindo pensando em tudo o que tinha acontecido que viagem mais doida.

Julia dormiu o caminho de volta todinho, quando chegou em casa foi carregada pela Carla para cama, Carla não queria acorda-la era bom que ela dormisse ela tinha tido muito estresse num dia só.

Carla ligou pro Julio e contou tudo o que tinha acontecido pra ele, ele ficou impressionado com a fúria da Julia, ela sempre foi uma pessoa tão pacifica, depois de confirmar pro Julio que tava tudo bem ela foi tomar um banho merecido.

Julia acordou meio sem saber onde estava, ela se lembrava de ter dormido no carro mas não se lembrava de ter ido pra cama e também começou a lembrar de tudo o que tinha acontecido. Ela levantou e foi procurar por Carla.

Carla estava no sofá deitada olhando pro teto, percebeu Julia chegar se levantou um pouco e perguntou:
- Ta melhor?
- Acho que sim, O que houve?
- Você dormiu no carro não queria te acordar achei que você precisava dormir ai te carreguei pro quarto.
- E tudo o que eu lembro foi verdade ou sonho?
- Depende o que você lembra?
- Do tapa na Cristine.
- É esse o nome dela é?
- É.
- Faz assim toma um banho, troca de roupa relaxa bem naquela banheira enorme que temos, depois vem aqui pra gente conversar pode ser?
- Pode

Julia ia se virar pra ir quando Carla disse:
- Te Amo, Não demora muito.
- Julia olhou pra Carla com um brilho no olhar e foi pro banheiro.

Depois de descansada e relaxada Julia se vestiu e foi falar com Carla na sala.
- Demorei?
- Uma eternidade. Ta melhor mesmo?
- Sim agora estou.
- Então vem aqui senta aqui comigo.

Carla deu espaço no sofá pra Julia sentar.
Julia ficou olhando pra ela e Carla perguntou:
- O que aconteceu lá?

Julia olhou pra Carla respirou fundo e começou a fala.
- Aquela mulher era cliente do supermercado, ela estava toda semana comprando alguma coisa lá, quando nós brigamos eu fiquei muito abatida ela percebeu veio falar comigo se fez de amiga e me convenceu a eu me abrir com ela e contei tudo o que tava acontecendo e ela falava pra mim que você era inocente que eu devia te dar uma chance, essa semana toda foi nela que eu me apoiei.
- E como ela conseguiu nossos dados?
- Realmente eu não sei talvez por eu ser gerente da loja tenha sido mais fácil mas ela devia estar me vigiando já que ela sabia da sua amiga que você encontrou semana passada. Me perdoa meu amor quando eu penso que eu podia ter te machucado naquele dia e o que eu falei lá é verdade eu não te mereço você tem todo o direito de ficar com raiva de mim.
- Ei para com isso eu te amo e vou continuar te amando, e que fúria hein moça ate me assustou também.
- Deixa de ser besta nunca mais levanto uma faca ou alguma coisa do tipo pra você e se eu fizer pode me internar.
- Eu espero que você nunca mais faço isso mesmo o que falei ainda ta valendo.
- Me perdoa – Julia com os olhos carregados de lagrimas olhou nos olhos de Carla.
- Não precisa chorar meu amor já passou, mas o que eu falei antes sobre isso ainda ta valendo também.
- E o que foi ? – Julia perguntou sem entender.
- Vai precisar muito mais do que um pedido de perdão pra eu te perdoar – Os olhos de Carla brilhavam com malicia.

Julia se fez de desentendida, Carla se levantou e puxou a Julia pra perto de si.
- O que você quer que eu faça? – Julia foi se aproximando mais de Carla.
- Surpreenda me. – Disse Carla olhando nos olhos de Julia que brilhavam como fogo.

Julia tomou a boca de Carla contra a sua e a foi levando para o quarto.

A Temperatura do quarto estava esquentando consideravelmente... mas a descrição termina por aqui (qual é gente privacidade né).

O importante a saber é que o Amor que as duas sentiam cresceu. Julia aprendeu a ser menos ciumenta e confiar mais em Carla e em si mesma e Carla conseguiu organizar seus horários de forma que o sábado e domingo ficassem sempre livres para as duas poderem curtir em paz. E se amaram com discussões, com problemas, com diferenças, mas se amaram e continuam se amando ate hoje.


Fim.

16/12/2008


Quem leu até o final muita obrigada!
Sugestões, Criticas, Duvidas pode mandar um e-mail para kikalima@ymail.com

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